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ABATIDOS, PORÉM NÃO DESTRUÍDOS

Tema: Devocionais
Marcelo Rodrigues
Igreja Evangélica Viver em Cristo 2372 visitas 240 mensagens 15 votos

Quando Paulo escreveu a carta que denominamos a Segunda Epístola aos Coríntios o apóstolo estava um pouco triste e chateado. O motivo era a ingratidão dos cristãos da cidade grega de Corinto que estavam colocando em dúvida a autoridade e a legalidade do apostolado de Paulo.

A decepção de Paulo não era para menos. Estava triste e decepcionado porque foi ele quem levou o Evangelho de Cristo para aquelas pessoas. Permaneceu em Corinto um ano e meio pregando e ensinando a Palavra de Deus para aquela gente, correndo risco de morte e sem receber salário daquela igreja. Paulo deu a sua vida por eles, e, em troca, estava recebendo a ingratidão e a falta de reconhecimento.

A ingratidão é uma das coisas que mais machucam o coração da gente. Além da ingratidão há também outras decepções da vida que também nos machucam, que ferem o nosso coração, tais como traições, a falta de perdão, abandono, calúnias, mentiras, injustiça, preconceito que sofremos por causa da nossa fé em Jesus... Por falar da fé em Jesus pela qual se baseia nosso relacionamento com Deus, é isto que nos sustenta nas mais turbulentas adversidades da vida. Deus, por meio de Jesus e de seu Santo Espírito, nos sustenta nas mais duras adversidades.

Por esta razão, Paulo em sua carta aos cristãos de Corinto, em II Co 4:8, 9, fala de quatro tipos de crises que são confrontadas com grandes vitórias que nos fazem continuar em nossa caminhada com Deus:

A primeira crise são as tribulações: “Em tudo somos atribulados” ou “Muitas vezes ficamos aflitos”. A palavra “aflitos” significa literalmente “pressionar”, “oprimir”. Não é assim que nos sentimos em momentos de aperto? Há situações que nos pressionam, nos oprimem, nos sufocam, nos apertam, a ponto de não podemos escapar.

“... Porém não angustiados” ou não “derrotados”, diz Paulo. Ainda que enfrentemos todo tipo de circunstâncias que “esmagam” nosso coração e sufocam nossa alma, Jesus não permite sermos “esmagados”, derrotados. Ele nos sustenta! Sempre!

A segunda crise apontada pelo apóstolo são as dúvidas que abatem o coração. Há crises nos deixam “perplexos”, ou como descreve outra tradução da Bíblia: “algumas vezes ficamos em dúvida”. Podemos experimentar situações que nos deixam perplexos, em dúvidas, porque não temos respostas. Não temos respostas porque somos humanos, limitados, falhos...

Há desesperos que abatem a nossa alma que nos dão a impressão que não vamos suportar. Nossa fé, esperança e confiança em Deus são provados até nossos limites... Por isso, ficamos perplexos, mas não “totalmente perplexos”... Ainda que a luz se apague para nós, ainda haverá luz suficiente para nos guiarmos por ela.

Por esta razão, Paulo afirma que embora ficasse perplexo ou sem respostas em certas crises que enfrentava, não se desesperava: “mas nunca ficamos desesperados”. Dúvidas não são sinônimos de perda da esperança em Deus. Jó quando perdeu tudo o que tinha entrou em profunda crise existencial pelas dúvidas que tinha em relação às causas de seu infortúnio. Mas Jó jamais perdeu sua fé e esperança em Deus. Jesus não permite que jamais sejamos atribulados além de nossas forças. Ele sempre vem nos socorrer!

As perseguições vindas de inimigos da fé cristã são o terceiro tipo de crise citado por Paulo: “perseguidos” ou “temos muitos inimigos”. A palavra “perseguidos” literalmente significa “excluídos”, “expulsos”, “caçados”. Dá a entender a oposição do mundo contra a nossa fé em Jesus. Não podemos esquecer que o próprio Jesus nos preveniu que devido ao nosso comprometimento e relacionamento com Ele seríamos odiados e perseguidos até mesmo pelos nossos familiares.

Todavia, conforme escreve Paulo, ainda que sejamos duramente perseguidos por causa de nosso amor a Jesus, nunca ficamos “desamparados”... Ainda que tenhamos muitos inimigos, “mas nunca nos falta um amigo” (assim descritas as palavras de Paulo na Nova Tradução da Linguagem de Hoje). Deus nunca nos desampara nas perseguições contra a nossa fé. Ele sempre está conosco. E nunca deixa faltar um amigo... Amigos que nos amparam com sua companhia, amizade e oração.

Por fim, temos o quarto tipo de crise mencionado por Paulo: estar abatido, expressão melhor traduzida pela NTLH: “Às vezes somos gravemente feridos”. Estas palavras tem o significado de “lançar por terra” ou “derrubar”. Não é assim que ficamos em algumas situações? Em algumas batalhas da vida? Há batalhas que perdemos... Quando isto acontece, nos sentimos feridos na alma, no coração...

É verdade, às vezes perdemos algumas batalhas, mas jamais nos damos por vencidos! Por isto, continua Paulo: “não somos destruídos”. Podemos perder a batalha, mas não perdemos a guerra! Conforme Paulo escreveu aos crentes de Roma, em todas as crises que enfrentamos “... somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8:37-39).

Esta é a nossa condição (me refiro aos filhos de Deus, aos crentes e discípulos de Cristo) quando enfrentamos grandes adversidades que são maiores e mais fortes do que nós: Em todas as direções somos duramente pressionados, mas não esmagados... Ficamos perplexos, com dúvidas muitas vezes, mas não consumidos pelo total desespero... Perseguidos, mas não abandonados... Abatidos, como que por uma flecha, mas não destruídos, não vencidos.

Concluo com as palavras de Paulo que ele escreveu logo adiante: “Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (II Co 4:16-18).

A Deus seja a glória!
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Esta mensagem foi também publicada no blog do Pr. Marcelo Rodrigues: http://prmarcelorodrigues.blogspot.com/

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