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Oração e a Igreja – Parte 1- O Pastor e a Oração

Tema: Vida Cristã
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“Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito”. 1Sm 12:23

           

Uma das atribuições dos Ministros é orar pelo povo, segundo Atos 6.4 os apóstolos elegeram como prioridade ministerial deles consagrar-se a oração e ao ministério da palavra.  O texto de 1 Samuel também traz a preocupação de Samuel em orar pelo povo. O pastor deve orar com o rebanho e em prol dele. Gosto muito das palavras de Martin Holdt: “Nós rogamos a Deus em favor dos homens. Neste sentido, a oração é nosso trabalho mais importante. É uma luta contra o adversário. É uma batalha contra a carne. É um trabalho essencial. O ministro que não ora por seu rebanho não é ministro de jeito algum.” (in: Ascol, 2005, p. 91).

Acerca do tema da oração Calvino disse que os ministros têm uma razão ainda maior para orar que qualquer outro, pois a sua grande preocupação é a salvação comum da igreja. Por isso, diante de tantas exortações, nós pastores, devemos assumir a mesma postura dos apóstolos quanto às suas funções primordiais, dedicar toda a nossa vida à oração e ao ministério da Palavra. É mister que o ministro torne a oração uma prioridade em sua vida, portanto, ore antes e depois de toda atividade que realizar na igreja, seja pregação, uma visita familiar ou aconselhamento a um casal com problemas.

Novamente nos reportando à Holdt, agora citando o puritano John Smith, podemos aprender algo muito importante quanto a vida de oração:

A oração é a vida e a alma da função sagrada: sem ela, não podemos esperar qualquer sucesso em nosso ministério; sem ela, nossas melhores instruções são inférteis e nosso trabalho mais penoso não produz efeito. Antes que lancemos terror sobre aqueles que quebraram a lei, precisamos antes, assim como Moisés, passar tempo com Deus em um lugar retirado. A oração freqüentemente alcança o sucesso para pequenos talentos, enquanto que os maiores talentos sem oração são simplesmente inúteis e perniciosos. Um ministro que não é um homem de piedade e oração, quaisquer que sejam seus outros talentos, não pode ser chamado servo de Deus; muito pelo contrario, ele é na verdade servo de Satanás, escolhido por ele pela mesma razão que escolheu a serpente em tempos remotos, visto ser ela o mais sutil dos animais criado pelo Senhor. Que mostro, oh, Deus, este tipo de pastor deve ser, este dispensador das ordenanças do evangelho, este intercessor entre Deus e o seu povo, este reconciliador do homem com seu criador, se ele não se enxerga como um homem de oração. (in: Ascol, 2005, p.91).

 

            Diante da primazia da oração na vida do ministro cabe-nos exortar: Ministro do Evangelho esteja bem atento ao fato de que você deve estar sempre pronto para o dever da oração, lembre-se das palavras de Paulo em 1Ts 5.17 “Orai sem cessar”. Deus abençoará seu ministério por meio da oração, devemos levar as necessidades de nossa igreja até Ele, devemos interceder pelos fracos, oprimidos, servir de exemplo aos moribundos na fé, para que pelo nosso exemplo sejam fortalecidos na fé cristã. A oração para Calvino é um “exercício perpetuo de fé. Pela qual recebemos diariamente benefícios da parte de Deus” (Calvino, 2003, p. 13). Jean Massilon, ministro francês disse a um grupo de ministros:

Um pastor que não ora, que não ama a oração, não pertence à igreja, que “ora sem cessar”. Ele é uma arvore seca e infrutífera que estorva o solo do Senhor. Ele é o inimigo, e não o pai de seu povo. Ele é um estranho que usurpou o lugar do pastor e a quem a salvação do rebanho é indiferente. Portanto, meus irmãos, sejam fieis em suas orações e suas funções serão mais úteis, seu povo será mais santo, seu labor será mais doce e os males da igreja diminuirão.[...] Esse homem deixa, se é que podemos usar essa expressão, de ser um ministro público no momento em que deixa de orar. (Beeke, in Armstrong, 2007, p. 72)

 

            Para ter uma vida piedosa, devemos dar a oração o status de urgência, principalmente no ministério, ou você nunca terá palavras de conforto, ou um sermão digno de ser chamado “palavras de um embaixador de Cristo”, se você não tiver vida de oração com Ele. A oração deve permear toda nossa vida, passando por cada pensamento, palavra, atitude, de forma que  nada do que façamos como ministros pode ser desprovido de oração. Faça da sua vida – especialmente de seu gabinete – uma constante oração e comunhão com Deus.

Com uma vida de oração todos os seus sermões serão evangelísticos não importa o assunto.

 

John Welsh, genro de John Knox, orava sete horas por dia.[...] certa vez sua esposa o encontrou chorando no chão depois da meia-noite e lhe perguntou por que estava chorando. “Ó, minha querida”, ele disse:, “tenho 3.000 almas pelas quais responder, e eu não sei como estão muitas delas”. (Armstrong, 2007, p.73).

 

            Por último, não deixe de ser bíblico em suas orações, Provérbios 28.9 diz: “O que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável.” Mantenha-se alinhado com as promessas bíblicas, ore partes das Escrituras, baseie suas palavras na Palavra de Deus. Peça conforme a vontade de Deus, não se desvie de pedir que seja feita a vontade do Senhor (Mt 26:42). Deixe Deus trabalhar seu coração, molde-se à Palavra de Deus, suas orações serão ouvidas e seu ministério abençoado.

Rev. Carlos Jr

Ministro Presbiteriano

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