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JESUS CRISTO, O SENHOR SOBRE TUDO E TODOS

Tema: JESUS Subtema: Jesus Cristo, o Filho de Deus
André Silvério
Igreja Presbiteriana do Brasil 400 visitas 79 mensagens 14 votos

HEBREUS 1.1-4


Tema: A Supremacia de Cristo sobre todas as Coisas


I. Cristo é a mais Perfeita Revelação de Deus ao Homem (1.1-2a)


“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas”.  O objetivo do autor de Hebreus nestes dois primeiros versos é fazer um contraste claro entre a revelação de Deus na Antiga (AT) e na Nova Aliança (NT). Em ambas as revelações, fica muito nítido que Deus é o agente que se revela – “havendo Deus, outrora falado... nestes últimos dias, nos [Deus] falou...”. No verso 1, Deus falou (revelou-se) “muitas vezes e de muitas maneiras”. Podemos entender essas duas expressões da seguinte forma. “Deus falou muitas vezes”. É inegável que Deus mesmo tenha se revelado inúmeras vezes aos homens desde Adão, passando por Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi e todos os demais Profetas, até Malaquias. “Deus falou de muitas maneiras”. Deus não só se revelou muitas vezes, como o fez de diversas formas. Deus falou diretamente, como por exemplo, com Adão no Éden (Gn 1.28), com Noé antes do dilúvio (Gn 6.13), com Abraão quando o chamou (Gn 12.1). Deus falou por meio de “visões e sonhos” (Gn 15.1; Nm 12.5-8; Dn 7.1). Deus falou em manifestações grandiosas, como numa “coluna de nuvem” (Êx 33.9). Deus falou numa “sarça ardente” (Êx 3.2-4). Deus falou extraordinariamente por Teofania  (Is 6.1). Ordinariamente, Deus falou “aos pais, pelos profetas”. As profecias eram ditadas ou “sopradas” pelo próprio Deus, na forma de o “assim diz o SENHOR” (Is 10.24; Jr 2.5; Ez 12.10). Conforme o Apóstolo Pedro, foi pela ação sobrenatural do Espírito Santo que cada uma das profecias foi registrada progressivamente, de acordo com a história da redenção (1Pe 1.10-12; 2Pe 1;19-21). A expressão “aos pais” refere-se obviamente a todos os nossos irmãos crentes do Antigo Testamento (44.1; 78.3-4; Mt 23.29-30; At 13.32). 


“nestes últimos dias, nos falou pelo Filho”. 


No verso 2, Deus continua sendo o sujeito – “[Deus] nos falou”. Se no Antigo Testamento Deus falava aos pais pelos profetas, “nestes últimos dias” Deus nos falou pelo Filho. A expressão “nestes últimos dias” não abrange, evidentemente, apenas os dias nos quais vivemos. Ela compreende o período entre a vinda de Cristo e a sua volta final. Desde que Cristo veio, passamos a viver os “últimos dias” (1Tm 4.1; 2Tm 3.1; 2Pe 3.3). Ainda que, às vezes, pareça demorada a vinda de Cristo, não devemos nos esquecer do que nos ensina Pedro, ao dizer que o Dia da volta de Cristo não tarda, mas virá como ladrão (2Pe 3.8-10). Se no passado (“outrora”) Deus falava pelos profetas, agora, nestes últimos dias Deus nos falou pelo Filho. É evidente que o único Filho de Deus é Jesus Cristo (Mt 3.16-17). A Bíblia nos fala de Jesus como sendo a “verdade” – “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida” (Jo 14.6). O que Jesus queria dizer com a expressão “Eu sou a verdade”? Ele mesmo responde a pergunta em Jo 17.17: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. Isso significa que Deus se revelou por meio de seu único Filho, que é a verdade; e esta verdade é a Palavra de Deus, a Escritura Sagrada (2Co 6.7; Ef 1.13; Cl 1.5; 2Tm 2.15; 3.16-17). Portanto, em outras palavras, os versos 1 e 2 de Hebreus ensinam-nos que Deus fala conosco hoje, unicamente por meio de sua santa, perfeita e inerrante Palavra. Não enxergamos mais a necessidade de Deus se revelar a nós por outros meios, senão não pela Bíblia Sagrada. A Bíblia está completa em si mesma. Ela não contém a Palavra de Deus, ela é a Palavra de Deus. Tudo quanto está revelado nas Escrituras foi sobrenaturalmente intencionado e inspirado pelo Espírito Santo (2Pe 1.20-21). O Espírito é o autor Divino das Escrituras que, valendo-se de seres humanos pecadores e imperfeitos, registrou tudo o que precisamos saber acerca de Deus, da salvação (Rm 15.4), de nós mesmos, do pecado, de Cristo e do céu. Não oramos mais pela inspiração de Deus sobre o pregador, mas por sua iluminação e sabedoria. A Escritura, portanto, é o limite do nosso conhecimento de Deus (Dt 29.29). Devemos evitar o perigo tanto da descrença em partes da Bíblia, ou seja, o ficar aquém (algo típico do liberalismo teológico clássico e sutil), quanto o perigo de ir além da Bíblia, inserindo novas revelações (algo típico do pentecostalismo). Nem aquém, nem além, mas “Sola Scriptura” – Somente a Escritura (1Co 4.6). Sobre isso Calvino disse: “não há mais razão para ficarmos em dúvida se devemos esperar alguma nova revelação. Não foi apenas uma parte da Palavra que Cristo trouxe, e, sim a Palavra final. Assim, como o Espírito Santo de Deus convida todos a irem a Cristo, assim os proíbe de ultrapassarem essa Palavra final. Resumindo, o limite de nossa sabedoria está posto aqui no evangelho – a Bíblia Sagrada.  


II. Cristo é o Herdeiro de Deus e Agente Criador do Universo (1.2b)


“a quem constituiu herdeiro de todas as cousas”. 


A segunda verdade afirmada pelo autor de Hebreus é que Cristo não é herdeiro de Deus. Mas não simplesmente um herdeiro, mas o “herdeiro de todas as coisas”. Não sabemos quando Deus fez do Seu Filho o herdeiro de tudo. Isso pode ter acontecido na eternidade (Jo 1.3), na grande comissão (Mt 28.18), ou até mesmo na ressurreição (Fp 2.8-11). De qualquer modo, Jesus herdou do Pai todo o que lhe pertence, logo, tudo o que é do Pai também é do Filho. E assim, tudo o que pertence exclusivamente a Deus é comum a ambos (ao Pai e ao Filho).  Kistemaker diz que isso é Incompreensível e ininteligível. 


“pelo qual também fez o universo”. 


Sendo Cristo o herdeiro de Deus, foi por Ele que o Pai criou o universo. A palavra “universo” é o resumo de tudo quanto Deus criou, ou seja, cada partícula do cosmos, o mundo criado em sua totalidade desde a eternidade até agora. Cristo foi o agente de Deus na criação. Há várias referências da criação de Deus por meio Cristo. Em João lemos: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” (Jo 1.3). Paulo também escreveu: “... Tudo foi criado por meio dele e para ele.” (Cl 1.16b). Encerrando as questões doutrinárias em sua carta aos Romanos, Paulo termina com um doxologia  a Jesus Cristo: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.36). É impossível para o homem entender toda a profundidade da afirmação do autor de Hebreus, no entanto, tudo o que precisamos saber é que Jesus estava presente na criação e é Soberano Senhor sobre todas as coisas criadas. Ele é Deus.  Além de o Pai exaltar o Seu Filho como criador e soberano sobre todas as coisas, Deus também nos tornou co-herdeiros em Cristo Jesus. Escrevendo aos Romanos, Paulo disse: “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiro com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.” (Rm 8.17). Isto significa que Cristo é o herdeiro principal, e nós desfrutamos daquilo que Ele mesmo conquistou para nós na cruz do Calvário. Todas as bênçãos prometidas aos crentes são por meio de Cristo. Calvino disse que Cristo tornou-se o herdeiro para poder fazer-nos ricos por meio de suas riquezas.  

 
III. Cristo é a Manifestação da Glória de Deus e a Expressão Exata do Seu Ser (1.3a)


“Ele, que é o resplendor da glória [de Deus]”. 


Essa, sem sombra de dúvida, é uma das declarações mais profundas de toda Carta aos Hebreus e de toda a Bíblia. O autor de Hebreus está afirmando que Jesus Cristo é a manifestação da glória de Deus. Gerad Kittel faz uma bela comparação entre Cristo e o sol, ao dizer que a lua recebe a sua luz do sol e simplesmente reflete esses raios para a terra. A lua em si mesma não possui luz nem emana luz, porque ela não produz luz. O sol como um corpo celeste irradia a sua luz com todo o seu brilho e poder para a terra. Como comparação, nós podemos ver Cristo como a luz radiante que vem do Pai, assim como a luz do sol provém do sol.  Portanto, o brilho do Filho é uma extensão da glória do Pai.  Ao mesmo tempo em que Jesus tem a sua própria luz, Ele também manifesta perfeitamente a luz do seu Pai. Essa verdade não se assimila ou se compreende pela razão, mas se aceita e recebe pela fé somente. Parece-nos que ninguém compreendeu essa verdade tão nitidamente quanto Calvino, ele diz: 
“Quando você ouve que o Filho é a glória do Pai, tenha em mente que a glória do Pai é invisível até que ela resplandeça em Cristo. E essa é a razão porque Cristo é chamado de a própria imagem da substância divina, porque a majestade do Pai é oculta, até que ela se revele como uma expressão da própria imagem divina. A intenção do autor é edificar a nossa fé, a fim de sabermos que Deus não nos é revelado de outra maneira senão em Cristo. O fulgor da substância de Deus é tão forte que fere nossos olhos, até que ela se nos revele na pessoa de Jesus”.  
O Apóstolo João inspiradamente falou acerca dessa verdade: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como unigênito do Pai” (Jo 1.14). 

“a expressão exata do seu ser”. 


A palavra usada pelo autor para “expressão exata” é “caracter”. Essa palavra significa “impressão precisa a partir de um molde”. A ideia é uma moeda que foi reproduzida a partir de uma original, ou de um carimbo num papel feito a partir de um molde de borracha. A impressão deixada no papel é a expressão exata do carimbo usado. É neste sentido que Cristo é a expressão exata de Deus. Assim, é “apropriado dizer que tudo quanto é peculiar ao Pai é igualmente expresso em Cristo, de modo que quem conhece o Filho também conhece o tudo quanto está no Pai.  Portanto, Cristo é a manifestação de Deus e o próprio Deus. Embora sejam duas pessoas diferentes, o Pai e o Filho, são ao mesmo tempo um só em essência, tudo o que o Pai é e possui também se aplica ao Filho, uma vez que “o Filho carrega a exata impressão do ser do Pai desde a eternidade.  A plenitude de Deus habita de modo real em Jesus Cristo.  Foi justamente isso que Jesus disse a Filipe quando este lhe pediu para ver o Pai: “Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: mostra-nos o Pai?” (Jo 14.9; conferir as seguintes passagens: Jo 10.30; 12.45; 17.11, 22; 2Co 4.4-6; 5.19; Fp 2.6; Cl 1.15; 2.9 ). 

IV. Cristo é o Agente Sustentador de todas as Coisas (1.3b)


“sustentando todas as cousas pela palavra do seu poder”. 


Cristo não é somente o criador do mundo, mas também é o sustentador eterno dele. Somente sendo Deus é que Cristo tem poder para sustentar o universo e tudo o que nele há. “Ele falou e todas as coisas foram poderosamente criadas. Ele fala e todas as coisas continuam poderosamente sendo sustentadas e preservadas”.  Tudo isso acontece pela “palavra do seu poder”. “O sentido mais próprio da palavra ‘sustentando’ é ‘carregando’. Isso significa que o Filho ‘carrega’ todas as coisas, a fim de levá-las a um fim designado. Cristo governa o universo pela palavra do seu poder, pois a sua palavra é suficiente”.  Calvino ainda diz que “Cristo é quem sustenta o mundo inteiro tão somente pela instrumentalidade da sua vontade”.                                                      
Cristo é o Agente Redentor do Homem Caído (1.3c)


“depois de ter feito purificação dos nossos pecados”. 


Cristo não só é o criador e sustentador de todas as coisas, bem como é o meio pelo qual Deus redime o homem do seu estado de pecado e miséria. Está aqui nesta frase a síntese da obra realizada por Cristo. O autor de Hebreus tem a intenção de demonstrar que o Filho de Deus fez um único, perfeito e eterno sacrifício em nosso lugar, diferentemente dos sacerdotes que eram imperfeitos e que, por isso, faziam sacrifícios imperfeitos, por eles e pelo povo (Hb 9.13; 10.11-12). Jesus Cristo tornou-se ao mesmo tempo sacerdote e sacrifício, oferta e ofertante. Cristo fez tudo aquilo que era impossível aos sacerdotes – um sacrifício perfeito e eterno. A sua obra na cruz se tornou aceita diante do pai por causa de sua perfeição. No último de seus brados na cruz, Jesus fala da plenitude sua obra ao dizer: “Está consumado” (Jo 19.30). Nessa palavra Jesus estava afirmando a suficiência da sua obra, ou seja, que todos os pecados, de todos os eleitos, estavam devidamente pagos e cancelados (Cl 2.14).
Cristo é Aquele que Recebe do Pai um Lugar de Honra (1.3d) 


“assentou-se à direita da Majestade, nas alturas”. 


Temos aqui uma expressão figurada, isto é, o sentido de “assentar-se à direita” é tão somente o lugar de honra e destaque. Somente Cristo é digno de estar assentado ao lado do Pai. Deus mesmo lhe deu este lugar de honra, glória e privilégio entre todas as pessoas. É assentado ao lado do Pai que o Sumo Sacerdote perfeito continua a interceder e rogar pelos seus eleitos (Rm 8.34; conf. Cl 3.1). O lugar de honra não só manifesta a intercessão de Cristo, bem como lhe dá o status de Rei que governa soberanamente ao lado do Pai. Cristo já está entronizado, intercedendo e governando, aguardando o dia de sua volta quando há de julgar a todos com justiça (At 17.31). 
Cristo é Aquele que Recebe do Pai o Nome sobre todos os Nomes (1.4)


“tendo-se tornado tão superior aos anjos quando herdou mais excelente nome do que eles”.


Cristo não é apenas superior aos sacerdotes, mas o é também sobre todos os anjos, como verificaremos do verso 5 do capítulo 1, até ao final do capítulo 2. Embora os anjos tinham e têm o seu valor como criaturas a serviço de Deus, Cristo é incomparável e infinitamente mais superior aos anjos, a final, foi por Ele que os anjos foram criados. A supremacia de Cristo sobre os anjos encontra o seu fundamento no fato de que Deus exaltou Cristo à sua destra e lhe deu o nome que está acima de todo nome, o nome mais excelente e sublime – Jesus. Paulo expressou muito bem essa verdade quando escreveu aos Efésios: “... fazendo-o [Cristo] sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no porvir” (Ef 1.20-21); e ainda aos Filipenses: “Pelo que também Deus o exaltou [Cristo] sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória Deus Pai” (Fp 2.9-11). 

Em resumo, o que temos nestes quatro primeiros versículos acerca do Filho Jesus é:  
- O Filho como o Profeta por meio do qual Deus falou e fala - O Filho como o Herdeiro de todas as coisas - O Filho como o Criador que fez o universo - O Filho como o Resplendor do ser de Deus - O Filho como o Sustentador de todas as coisas - O Filho como o Sacerdote perfeito diante de Deus - O Filho como o Rei soberano que está em lugar de honra

 

Rev. André Silvério

Verbum Dei Minister

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