A raiva é uma forte emoção de desagrado. Ela é o resultado natural, reflexivo da frustração. É a nossa reação quando um objetivo é bloqueado.
A raiva, porém, possui também os seus pontos positivos. Por exemplo, quando vemos a injustiça que nos cerca, ou presenciamos sofrimento, ficamos zangados porque estas condições não deviam existir. A energia produzida por essa indignação pode motivar-nos a corrigir as injustiças.
A raiva é uma emoção vital, válida, natural. Se for certa ou errada vai depender da forma como for liberada ou exercida.
A raiva deve ser motivada pelo amor do que é certo para as pessoas, por aquilo que é exigido de nós pelo amor que dedicamos a Deus. A raiva pode ser construtiva e criativa. A ira no cristão deve satisfazer a três condições:
a) Deve ser dirigida contra algo errado e mau.
b) Deve ser controlada e não uma paixão ardente, descontrolada.
c) Deve ser isenta de ódio, malícia ou ressentimento.
O apóstolo Paulo reconhecia que a ira faz parte da vida. É por isso que escreveu: “Irai-vos e não pequeis...” (Ef 4:26). Note que ele não escreveu: “Não pequeis irando-vos”.
Mas nem sempre ficamos zangados por razões nobres. Muitas vezes, a nossa raiva é fruto de nosso egoísmo. As coisas não saem como gostaríamos que saíssem e isso nos frustra e ficamos zangados. É quando então a raiva rapidamente fica amarga, azedando até transformar-se em ressentimento, ódio, malícia, e até mesmo violência.
Neste caso, devemos estar atentos ao que Paulo escreveu em sua carta aos cristãos da cidade de Éfeso: “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Ef 4:26), ou como são traduzidas estas mesmas palavras na Nova Tradução da Linguagem de Hoje: “Se vocês ficarem com raiva, não deixem que isso faça com que pequem e não fiquem o dia inteiro com raiva”, isto é, quando ficamos irados devemos nos ver livre da ira, por meio do perdão, antes que chegue o outro dia, pois caso contrário, essa ira pode instalar-se no coração, criando raízes profundas em nosso interior, transformando-se numa raiz de amargura que destrói relacionamentos e difícil de ser curada.
Para controlarmos a raiva, devemos em primeiro lugar, reconhecer nossas emoções e admitir que estamos irados. Admitir o sentimento de raiva não significa que temos de agir de acordo com ele. Reconhecer a presença da raiva é uma forma salutar de reação a ela. Ignorá-la e reprimir nossos sentimentos de zanga só serve para piorar as coisas. Ficar com raiva não é necessariamente um pecado, mas sim ignorá-la e reprimi-la.
Paralelamente a isto, devemos ter a consciência de que dependemos do Espírito Santo para nos guiar e nos dar poder para controlarmos a raiva. Devemos também orar pela dificuldade que temos com os nossos sentimentos, admitindo francamente a situação para Deus.
E por fim, precisamos nos familiarizar com os versículos da Bíblia que falam da ira, e com os que falam como agir em relação aos outros. Devemos compreendê-los e colocá-los em práticaem nossa vida diária.
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Fonte:
WRIGHT, Norman H. Comunicação: A Chave Para seu Casamento. 3. ed. São Paulo: Associação Religiosa Editora Mundo Cristão, 1990.
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