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Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo;
Romanos 5:1
 
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AS GLORIOSAS CARACTERÍSTICAS DO POVO DE DEUS
Tema: Vida Cristã | santificação

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;”


         Quais são as características do povo de Deus? Ir à igreja no domingo, usar a Bíblia, cantar hinos, falar o “evangeliquês” de cada dia, usar saia uma bem comprida, usar um terno, não cortar o cabelo, etc.?

 

  • Pedro escreveu sua Epístola aos forasteiros da dispersão, ou seja, para o povo de Deus que estava vivendo fora de sua pátria, nas regiões do Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia (1.1). É muito difícil determinar se Pedro escreveu a sua Primeira Carta aos crentes judeus ou aos crentes gentios, mas os estudiosos têm afirmado, mais recentemente, que os destinatários, de fato, sejam gentios (1Pe 1.18) e não judeus, como se pensava.[1] É possível que Pedro estivesse em Roma quando escreveu a epístola (1Pe 5.13), por volta da década de 60 (d.C). Pedro escreveu para estes cristãos, a fim, de encorajá-los e animá-los na fé cristã, apesar das perseguições e adversidades que estavam sofrendo (1.6-7; 3.13-17; 4.12-19; 5.8-9).[2]
  • Desde o capítulo 1.13, Pedro está preocupado em discorrer acerca da santidade na vida do crente como consequência clara e natural de sua salvação. Ele usa vários termos para despertar nos seus leitores a necessidade de uma vida santa. Ele diz: “... não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância;” (1.14); “porque está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” (1.16); “Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade,” (1.22); “Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências,  2 desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação,” (2.1-2);


I. Raça Eleita

  • A expressão “vós, PORÉM,” ganha um significado especial, porque é através dela que Pedro indica a diferença entre os incrédulos desobedientes (8) e o povo escolhido. É como se Pedro tivesse dizendo o seguinte: “Os descrentes, incrédulos e ímpios deste mundo não conhecem a Deus, Jesus Cristo e sua Palavra, por isso são desobedientes, rebeldes, impuros e mundanos, mas vocês são um povo diferente que recebeu um chamado especial de Deus.”  
  • Mas Pedro continua dizendo: “Sois raça eleita”, isto é, um “povo escolhido”, “uma geração eleita”. Pedro não está inventando uma nova nomenclatura para a Igreja de Cristo, se não aquela que o povo judeu já conhecia por meio de Isaías: meu povo,... meu escolhido” (43.20).  
  • Essa eleição é incondicional, não depende das pessoas, mas plenamente da graça de Deus em Cristo Jesus (Ef 2.8). É uma eleição eterna, antes de todas as coisas (2Tm 1.9). É uma eleição soberana e particular de Deus (Rm 9.16).  
  • A Igreja do Senhor não é qualquer povo, nem qualquer nação ou raça. A Igreja do Senhor é um povo eleito, escolhido por Deus antes da fundação do mundo. A Igreja é um povo escolhido por Deus dentre o mundo perdido no pecado. Louve a Deus, porque, na Cruz bendita de Jesus Cristo, você foi eleito para ser parte da Igreja do Senhor.  

II. Sacerdócio Real

  • Mais uma vez, Pedro não está criando um novo nome para a Igreja, mas aplicando a ela um termo extraído do Antigo Testamento, encontrado em Êxodo: vós me sereis reino de sacerdotes” (Êx 19.6).
  • No Antigo Testamento apenas os sacerdotes tinham acesso a presença de Deus. Os sacerdotes comuns adentravam no lugar santo, mas somente o sumo sacerdote adentrava no lugar santíssimo (santo dos santos), uma vez por ano. Os sacerdotes adentravam ao templo com a finalidade de levarem os sacrifícios de animais e ofertas do povo a Deus. Mas, em Cristo, “o novo e vivo caminho”, todos os crentes são sacerdotes de Deus; e, por isso, têm acesso pleno, livre e constante na presença de Deus. Em Cristo, todos os cristãos podem levar seus sacrifícios espirituais a Deus. Enquanto os sacrifícios do AT eram animais mortos, agora os nossos sacrifícios são vivos, isto é, nós oferecemos o nosso próprio corpo, como disse Paulo: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1). Pedro diz ainda que somos “sacerdócio REAL”. O sacerdócio é real porque está a serviço do reino de Deus.
  • A Igreja do Senhor, além de ser um povo escolhido por Deus antes da fundação do mundo, é também um povo chamado para ser sacerdote do Reino de Deus. Os cristãos, de todos os lugares e de todos os tempos, podem desfrutar do privilégio de entrar na presença de Deus, apresentando-se a si mesmos, como sacrifícios vivos, santos e agradáveis a Deus (Rm 12.1-2). Os cristãos têm o privilégio de adorar a Deus em qualquer lugar e a qualquer momento. Os cristãos têm o privilégio de orar a Deus e pedir perdão pelos seus pecados, sem que ninguém tenha que fazer isso por eles. Os cristãos têm o privilégio de servir a Deus com suas vidas. Quantos privilégios têm os cristãos.

 

III. Nação Santa

  • Mais uma vez Pedro usa a expressão do Livro de Êxodo: “não santa” (Êx 19.6). Falar na palavra “nação” no Antigo Testamento significava a nação (instituição política) de Israel. Mas no Novo Testamento, a Igreja toma o lugar da nação de Israel, ou seja, em Cristo Jesus, não há mais judeus ou gregos, todos são um nEle. Por isso, esta nação a quem Pedro está se referindo é a Igreja do Senhor Jesus. A igreja não é um órgão político, mas essencialmente espiritual. A igreja é o povo do Senhor, eleito para ser sacerdote de Deus.
  • Mas Pedro ainda diz: “nação SANTA”. Isto significa que o povo de Deus não é igual a qualquer povo ou instituição, porém, o povo de Deus é uma nação de pessoas santas. Do mesmo modo como Deus exigia que a nação de Israel no Antigo Testamento fosse uma nação separada, Deus ainda exige que a sua Igreja seja um povo separado. Este é o significado da palavra “santo” – separado para algo especial.
  • A Igreja do Senhor é a comunidade de crentes salvos, lavados e remidos no sangue precioso de Cristo. É o povo que vive uma vida santificada, diferente dos demais povos do mundo. É povo que foi convocado a dizer não ao mundo e sim para Jesus Cristo. É o povo que não anda segundo os padrões e os valores do mundo. É um povo diferente nos seus valores e atitudes.

 

IV. Povo de Propriedade Exclusiva de Deus

  • Pedro diz agora porque o povo precisa ser santo, “porque ele é povo de propriedade exclusiva de Deus”. A idéia de Pedro é que este povo foi adquirido por Deus para si mesmo. Assim como Deus escolheu o seu povo antes da fundação do mundo, Ele também tornou este povo a sua propriedade pessoal.
  • Talvez alguém pergunte: Mas como, e de quem Deus adquiriu um povo para Ele? A resposta é simples. Ele comprou o seu povo do cativeiro do pecado e da morte. E o preço que ele pagou foi muito alto – Seu Filho Jesus Cristo. Santo Agostinho disse que Deus deu o que Ele tinha de mais valioso, ele deu o Seu único Filho.
  • A Igreja do Senhor foi comprada por um preço muito alto – o Sangue de Jesus. Como diz a letra do cântico: “Eu nunca saberei o preço dos meus pecados lá na cruz”. Ou seja, jamais poderemos mensurar o valor do sangue bendito de Cristo derramado na cruz. É por essa razão que o povo de Deus é um povo de propriedade exclusiva. Deus não aceita dividir o seu povo com outros povos da terra. A Bíblia diz que “o Espírita Santo anseia por nós com ciúme”. Deus não aceita um coração dividido. Deus quer um coração inteiro na sua presença, totalmente alegre e satisfeito em Cristo.

 

V. Proclamador das Virtudes de Deus

  • Pedro nos fala da última característica do povo de Deus. O povo que é raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, é também o povo proclamador das virtudes de Deus. É como se Pedro tivesse dizendo que o “povo de Deus deve ser anunciador dos grandes feitos de Deus, ou seja, aquilo que Ele é e aquilo que Ele faz”.
  • O povo de Deus deve ser o embaixador dEle no mundo. Assim como Israel tinha o dever de levar a mensagem de redenção a outros povos, a Igreja do Senhor tem o dever de ser portadora da mensagem de redenção em Cristo Jesus.
  • “Por todos os lugares, a igreja deve proclamar vocalmente as virtudes, os feitos, o poder, a glória, sabedoria, misericórdia, amor e a santidade de Deus. Por meio de sua conduta deve dar testemunho de que são filhos da luz e não das trevas.” [3]
  • A Igreja do Senhor é a voz de Deus neste mundo perdido nas trevas. A Igreja não pode nunca se calar, pois ela é a “coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3.15). A Igreja é o meio pelo qual Deus salva os pecadores, transforma vidas e exorta o mundo sobre o juízo de Deus. A Igreja jamais deve perder de vista a sua missão no mundo. A Igreja deve imprimir e fazer brilhar a cruz de Cristo neste mundo.

 

Considerações Finais e Aplicações

  • Quão santa tem sido sua vida? Quão junto de Jesus Cristo você tem andado? Você tem consciência do que Deus, em Cristo, fez por você na cruz? A base de sua alegria está nas coisas do mundo ou em Jesus Cristo?

[1] CARSON, D. A. Introdução ao Novo Testamento, São Paulo, Vida Nova: 200, p. 472.

[2] Bíblia de Estudos de Genebra.

[3] KISTEMAKER, Simon. J, 1 Pedro, Grand Rapids, Libros Desafío: 1994, p. 82. 

 





Rev. André Silvério
Igreja Presbiteriana do Brasil

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Data de Atualização: 10/10/2011 - 15:16 h.
 
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